Ultrassom focalizado de alta intensidade

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HIFU 15 Anos: Quando o acaso resolveu o caso

HIFU 15 Anos:  Quando o acaso resolveu o caso
João Becker, 86 anos, um dos primeiros pacientes a tratar o câncer da próstata (*Foto: Regis L. Cardoso)

A história de João Becker, um dos primeiros pacientes brasileiros a tratar o câncer da próstata pelo Ultrassom Focalizado de Alta Intensidade (HIFU), completará 15 anos em dezembro de 2014

Quando o acaso fez a história. “Eu confio muito no destino!”, diz João Becker, com muita certeza nas palavras. Este engenheiro (86) conta ao portal da Associação Latino Americana de Uro-Oncologia – UROLA, como chegou ao tratamento HIFU. Trajetória que é certamente uma das mais longas, no que diz respeito ao acompanhamento do câncer da próstata no Brasil.

É verdadeiro afirmar que o acaso salvou a vida de João e o tempo, assim como o destino, são fundamentais para entender essa história: “você já tem a sua vida traçada. Se tiver que morrer atropelado por um ônibus, você morrerá”, conta ele.

Este curitibano, formado na Universidade Federal do Paraná (UFPR), teve, no fim da década de 90, grandes surpresas desse tal de destino.

Ano de 1999

Como de costume, João Becker leva seu carro ao mecânico. Naquele dia ele soube, subitamente, que um amigo que trabalhava no local havia morrido. A causa: câncer da próstata. Naquela época, João fazia seus exames com muito cuidado (toque e PSA). Porém, aquela notícia não saía da sua cabeça. Foi aí que ele resolveu fazer uma biópsia. “Deu dois grãos de milho na próstata” – mostra com os dedos o tamanho problema que tinha para resolver.

E mais uma vez o acaso entra na vida de João. Numa despretensiosa visita a uma loja de um amigo, o engenheiro soube que o proprietário do estabelecimento havia se curado do câncer da próstata com um tratamento revolucionário. Para completar, o amigo entregou ao engenheiro um livreto com a descrição da novidade medicinal.

Vale lembrar que na época muitas pessoas morriam por causa do câncer da próstata. João também perdera uma filha para o câncer de mama. A tecnologia era outra. Eram outros tempos. O que não o impediu de chegar ao tratamento HIFU.

Naquele livreto que ganhou, João recebeu informações sobre o método utilizado em um hospital na cidade de Munique, Alemanha. 

E para contar esta história, ninguém melhor que o próprio João Becker, um dos primeiros brasileiros a fazer o Ultrassom Focalizado de Alta Intensidade (HIFU):

UROLA: Ainda na década de 90, como o senhor descobriu o HIFU?

João Becker: Foi casualidade e também indicação de um amigo que fez o tratamento na Alemanha. Descobri que tinha a possibilidade de cura através de um livreto, que falava sobre o tratamento. Estava descrito todas as vantagens: cirurgia rápida, sem perder sangue, poderia manter a potência, rapidez na recuperação e sem anestesia geral.

UROLA: Que livreto é esse?

JB: O livreto era do hospital em Munique. Ganhei de um amigo que havia feito o HIFU e me indicou. Na época, meu urologista estava em São Paulo e tinha pedido para eu aguardar sua volta. Nós iríamos falar sobre uma cirurgia. Nesse meio tempo eu descobri o HIFU.

UROLA: Quais os principais fatores que o levaram à Alemanha?

JB: Alguns anos atrás fiz uma cirurgia de hérnia e me incomodou. Não queria abrir mais um corte na barriga.

UROLA: Ficou muito tempo na Europa para o tratamento?

JB: Eu fiz a cirurgia e fui dormir no hotel no mesmo dia. Mandamos todos os exames por fax com antecedência. Eles aceitaram os exames brasileiros, estavam perfeitos. Eles fizeram um procedimento rápido. Saí dia 5 de dezembro do Brasil, fiz a cirurgia no dia 8. Foi marcado o retorno depois de dez dias. Como tinha parente lá, fiquei. No mesmo dia da cirurgia fui ao Festival Andre Rieu.

Uma história engraçada é que no outro dia me deu um entupimento no dreno*. Eu liguei e pedi para a médica uma ambulância, ela disse para pegar um taxi que era mais rápido. Eu estava a três quilômetros do hospital. Peguei o taxi e quando cheguei lá já estava bom. Desentupiu o dreno no caminho e nem precisei de nada.

Dreno*: sonda na bexiga, comumente fica de 10 a 20 dias no paciente após o HIFU.

UROLA: Como foi o pós tratamento?

JB: Voltei ao Brasil e já nos primeiros 15 dias fui à praia. Com o calor, tive uma inflamação. Então voltei para Curitiba e tomei antibiótico. Quando acontecia isso, logo depois eu voltava ao litoral. Mas este problema aconteceu por descuido meu, pois não tive complicação depois do HIFU.

UROLA: O senhor tem conhecimento que é um dos primeiros pacientes que fez o HIFU no Brasil? Em dezembro deste ano completa 15 anos!

JB: Não sabia. Sei que o primeiro que fiquei sabendo, descobriu o tratamento porque tinha um filho que morava na Áustria. Ele indicou para seu pai, que me indicou. Então foi casualidade.

UROLA: Na época, havia informações sobre o risco de dar errado o tratamento?

JB: Lendo o livreto dizia que o HIFU era rápido. Havia a possibilidade de não perder a potência e com a chance de fazer um novo tratamento. E a desvantagem era que eles não tinham uma continuidade clínica. Essa era a única desvantagem que tinha no livro, naquela época. Após retornar da Alemanha, fiz controles com o Dr. Marcelo Bendhack, que constatou, com exames de PSA e biópsia, que eu estava curado.

UROLA: E atualmente, como o senhor avalia sua qualidade de vida?

JB: Estou satisfeito. Tenho 86 anos, ainda faço fisioterapia. Mesmo não tendo vida sexual, não tenho incontinência urinária. Por exemplo: recentemente eu viajei pra Santa Catarina (Santo Amaro da Imperatriz). Não precisei parar na estrada. Fui 300 km depois de Florianópolis e foi tranquilo.

UROLA: Cuida da alimentação? Faz exercícios?

JB: Eu cuido. Meu prato é metade verdura. Só como pão integral. E o principal é o feijão e arroz. Minha alimentação é balanceada. Vez ou outra eu tomo uma Brahma Extra. Lá no resort em Imperatriz, tomava duas cervejas no almoço e uma taça de vinho à noite. Se eu tomo cerveja no almoço, não tomo a noite. Também faço exercício. Caminho e ando de bicicleta, principalmente na praia. Antes praticava natação e pescaria. Como construtor subia e descia escada. Eu era ativo. Hoje, com 86 anos, estou ‘em conserto’.

UROLA: O senhor se arrepende de ter ido para lá?

JB: Não. Estou satisfeitíssimo.

UROLA: Recomenda o tratamento?

JB: Sim.

UROLA: E na época, como identificou o problema?

JB: Não tinha sintoma algum. Fazia os exames de toque e PSA, dava tudo normal. Minha vida sexual também era bem normal. Não tinha dores localizadas. Descobri tudo após o problema do mecânico, isso me alertou.

UROLA: As pessoas tinham conhecimento, na época, sobre câncer da próstata?

JB: No geral, não tinham conhecimento. Minha filha morreu de câncer de mama, por exemplo. Quando ela descobriu, já era tarde.

UROLA: Para finalizar, acha que os homens tem receio de fazer exame urológico?

JB: Não sei. Espero que não. É importante saber como está a situação. Esses dias fui fazer um exame, aí tinha um cidadão que acho que iria operar. Percebi que o cara estava nervoso. Mas não quis meter o bico e dizer que fiz o HIFU. O importante é que ele estava lá.

Autor:Regis Luís Cardoso Voltar para o índice
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